Entrevista a Elisabete Simões
Sofia - Conte-nos um pouco da sua história antes de emigrar?
Elisabete - (…) Bem, eu antes de emigrar para Espanha a minha vida era ótima, era casada, tinha um emprego bom, uma vida estável até que um dia a minha vida virou-se do avesso.
Divorciei-me porque o meu ex-marido começou por me tratar mal, isto devido a dividas que eu desconhecia e daí começaram os problemas, (Triste) … Acabei por ir viver com os meus pais nessa altura.
Depois a empresa onde eu trabalhava começou por ter problemas financeiros a minha vida estava um caco… Acabei por me despedir…
Depois fui mais tarde trabalhar numa pastelaria e comecei a refazer a minha vida sozinha.
Mais tarde acabei por me despedir da pastelaria e fui trabalhar para o hospital dos covões nas limpezas, aí ganhava mais, até que depois veio o pior (…).
Comecei a receber cartas de dividas do meu ex marido, ao qual não liguei muito, pois eram dividas dele e não minhas, mas como ainda estávamos casados as dividas vinham também em meu nome.
A partir daí a minha vida começou a ser um desespero, fui penhorada no ordenado e comecei por ter imensas despesas a meu cargo, estava completamente desesperada. E foi essa a razão que me levou a emigrar…
Sofia - E qual foi o seu destino escolhido para emigrar?
Elisabete - Foi Espanha, pois tinha e tenho família que também emigraram por razões económicas e ir de encontro a uma vida melhor e daí ir para lá.
Sofia - Arranjou emprego antes de ir ou já tinha algo?
Elisabete - Eu na altura como estava desesperada, eu queria era ir embora (triste), não estava bem psicologicamente, queria paz.
Acabei por ir em Outubro de 2005, não tinha nada em vista, mas como tinha lá família acabaria por arranjar qualquer coisa.
Sofia- Quanto tempo esteve sem trabalho em Espanha?
Elisabete - Assim que fui para lá, arranjei passado três meses num bar onde a minha tia trabalhava.
Sofia - Como era esse trabalho?
Elisabete - Era um trabalho como qualquer um, atendia ao público refeições entre outras funções…
Era um trabalho muito duro, especialmente no verão, pois trabalhava muitas horas de pé, como por exemplo 16 horas.
Isto devido a ser um local de muitos estrangeiros que vão passar férias e tínhamos que aproveitar o máximo possível para fazer uma boa caixa, como também gorjetas (risos).
Foram três anos de sufoco, era um trabalho stressante, carregava paletes sozinha de um lado para o outro… Cheguei a ter calos nos pés e mãos, não conseguia mais, só deus é que sabe o que sofri.
Mais tarde arranjei outro trabalho numas bombas de gasolina, onde fiz uma formação em Madrid. Adorei e adoro aquele trabalho, pois não era tão desgastante como o outro.
Sofia - Como se adaptou à língua?
Elisabete - Adaptei-me bem, pois já tinha estado alguns meses em Andorra com o meu ex marido e sabia a língua. E como o tempo fui aperfeiçoando-me mais, também com a ajuda dos meus familiares.
Sofia - Hoje pensa em voltar à sua terra Natal?
Elisabete - (…) Pensativa… Claro que gostava, pois nasci em Portugal e tenha lá a minha família toda, mas sinceramente já não volto.
Sofia - Porquê?
Elisabete - Porque já estou em Espanha há muitos anos, comprei casa e estou a viver junta com o meu companheiro, refiz a minha vida cá e não tenciono voltar a não ser de férias…
Sofia - Uma mensagem que queira deixar para quem quer emigrar?
Elisabete - Acho que em primeiro lugar devem ter a certeza que o querem fazer, mas antes devem explorar os sítios onde pretendem ir.
No fundo se é para o melhor das pessoas acho que devem arriscar, pois quem não arrisca não petisca (Risos).
Sofia -Obrigada Elizabete e boa sorte.
Elisabete - , obrigada eu.
As.: Sofia Almeida
As.: Sofia Almeida
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