domingo, 15 de dezembro de 2013

Em Companhia do Sol

Titulo
Em Companhia do Sol
Autor
Jesús Sánchez Adalid
Ano de publicação do original
2006
Editora (Portugal)
Ediciones temas de Hoy
País/ contexto cultural de referência

Breve nota biográfica e obra do autor
Jesús Sánchez adalid, nasceu em Villanueva de la Serena (Badajoz) em 1962. Licenciado em direito na Universidade da Extremadura e também doutorou-se na Universidade Complutuense de Madrid. Durante 2 anos foi juíz, em seguida, estudou Filosofia e Teologia, sendo também licenciado em direito Canónico pela Universidade Pontifícia de Salamanca. Publicou, com grande sucesso, os romances La luz del Oriente, El mozárabe, Félix de Lusitania, La Tierra sin mal, El cautivo e la sublime puerta.
Com as histórias, as suas personagens, os périplos que empreendem, e que são quase peregrinações iniciáticas em busca de uma verdade interior, Adalid atingiu um vastíssimo publico.
Sinopse do livro
A história de São Francisco Xavier, que uniu Oriente e Ocidente no século XVI.
Em 1512, o rei Fernando, o Católico, ordena ao duque de Alba a conquista de Navarra. Os filhos mais velhos de D. João de Jasso vão combater pela dinastia destronada. Francisco de Jasso, o mais novo, fica no castelo, onde assiste aos tristes acontecimentos causados pelos conflitos políticos: presencia o ataque das tropas do regente do Aragão a Sangüesa e o castigo às famílias leais aos reis navarros.
Obedecendo à sua mãe, Francisco parte para a Universidade de Paris. É mais um entre milhares que vivem a sua vida de estudantes universitários: os áridos estudos de Filosofia e Lógica, os autos-de-fé no Mercado dos Cerdos, as tabernas, o vinho, a amizade, as mulheres...
Graças ao carisma e às qualidades de desportista, em corrida e em salto, torna-se muito popular. Conhece Íñigo, uma inquietante personagem que o impulsiona a fazer uma viagem para o Oriente, guiado por um misterioso ímpeto místico e uma energia transbordante.
Análise cultural e intercultural do livro
(Reflexão cr4ítica sobre a leitura, a publicar no blog do grupo)
 O livro descreve a vida de Francisco Xavier que é o filho mais novo de cinco irmãos, filhos de D. João de Jasso D. Maria de Azpilcueta(única herdeira de duas famílias nobres de Navarra).   A mais velha Ana, saiu muito cedo para se casar com Diogo de Ezpeleta, senhor de Beire. A segunda filha chamava-se Madalena que partiu alguns dias antes do seu nascimento para ser dama de Rainha Isabel, que mais tarde acabou por abandonar a corte, ingressando como monja Clarissa em Gandía. O terceiro filho, Miguel, primogénito e o herdeiro do senhorio. O quarto filho era João, nascendo francisco nove anos depois, filhos de famílias aristocráticas navarras.
João Jasso passava muito pouco tempo no castelo com a família, sendo que Francisco via o seu pai poucas vezes, pois ocupava-no em importantes missões politicas no conselho Real, em Pampelona que o exigiam viagens constantes a Castela ou a França, integrado em várias embaixadas. Em que Francisco se habitua das ausências do seu pai no castelo. Só se encontrava em Sanguesa quando tinha de despachar alguns assuntos relativos a leis, em que estava envolvido em complexas disputas territoriais entre diversos reinos.
Em Junho de 1512, o exercito ocupou Pampelona tropas castelhanas e aragonesas, , atacam o Reino de Navarra. A família de Francisco está do lado da resistência ao invasor estrangeiro, mas a conquista consolida-se em 1515, quando Francisco tem oito anos. Depois de uma tentativa de reconquista franco-navarra em, na qual os irmãos de Francisco tomam parte, a muralha, os portões e duas torres do castelo da família são destruídos, assim como o fosso que é tapado, a altura da torre de menagem reduzida para metade e as propriedades da família confiscadas. Só a residência da família dentro do castelo é poupada. Os irmãos de Francisco são encarcerados nas masmorras e condenados à morte, tendo no entanto obtido uma amnistia e sido libertados.
Durante muito deste período conturbado, Francisco não se encontrava em casa. O pai de Francisco morrera quando este tinha apenas nove anos e sua mãe, querendo que o filho estudasse, para que não tivesse o mesmo destino que os irmãos, procurara enviá-lo para a universidade a conselho de seu tio D. Pedro. A mãe de Francisco não desejara naturalmente instruí-lo nas escolas do invasor, pelo que, aos catorze anos, o enviara para o Colégio de Santa Bárbara, em Paris, dirigido pelo português Diogo de Gouveia.
No Colégio de Santa Bárbara, Francisco de Xavier foi preparado para prestar provas de admissão à universidade, completando estudos.
É neste período que conhece Inácio de Loyola, que sonhava formar uma companhia de apóstolos para a defesa e propagação do cristianismo no mundo. No início a relação entre Inácio e Francisco Xavier não era nada fácil, pois os dois tinham objetivos antagônicos, mas Inácio convenceu Francisco Xavier. Francisco Xavier era boémio, mas um excelente aluno, tinha uma amizade muito grande com o seu amigo de quarto Pedro Fabro. Francisco para conseguir ter uma vida que queria, pedia sempre dinheiro à senhora sua mãe, mas a ultima vez que recebesua mãe tinha falecido ficando este muito triste com a notícia. Passado doze, Inácio de Loyola, junto com Francisco Xavier, Pedro Fabro, Alfonso Salmeron, Diego Laynez, Nicolau Bobedilla e Simão Rodrigues, fizeram votos de castidade e pobreza na Capela de Saint-Denis, em Montmartre (Paris), colocando-se a disposição do Papa, para serem enviados aonde houver maior necessidade, e desse modo estavam fundando, ainda sem saber, a Companhia de Jesus, congregação religiosa destinada ao ensino, à conversão e à caridade.
Enquanto anseia o reconhecimento do Papa, que só acontecerá em 1541, o grupo parte para Veneza com o objectivo de alcançar a Terra Santa. É aí, que Francisco de Xavier é ordenado padre. Não chegando a pisar a Terra Santa em virtude da guerra entre venezianos e turcos, o grupo parte para Roma, onde Francisco serve por um breve período. Viagens de São Francisco Xavier na Ásia
Em Roma, Francisco de Xavier sente-se muito abalado pela conquista do Reino de Navarra pelo Reino de Castela. É nesse momento que Dom João III, Rei de Portugal, depois dos sucessivos apelos ao Papa Paulo III para que este lhe envie missionários para espalhar a fé cristã pelos territórios descobertos pelos portugueses, é aconselhado entusiasticamente pelo director do Colégio de Santa Bárbara, Diogo de Gouveia, a chamar para os Reino de Portugal os jovens cultos e inteligentes da Companhia de Jesus, que este lhe recomenda. Dom João III pede assim ao embaixador de Portugal em Roma que sonde o grupo e é aí que Francisco de Xavier descobre um caminho para pôr em prática a sua vocação missionária. É escolhido por Inácio de Loyola e chega a Portugal em 1541, em que uma parte da cidade estava destruída pelo terramoto de 1531.
Francisco de Xavier parte de Lisboa para a Índia no ano seguinte, acompanhado de outros dois jesuítas, Francisco de Mansila e Paulo Camarate. Partem a bordo da nau Santiago, uma das cinco naus da frota comandada por Martim Afonso de Sousa, que ia tomar posse do cargo de governador na Índia.
Em Agosto de 1541 ancoraram junto da ilha de Moçambique. Nessa altura do ano, os ventos adversos impediram a continuação regular da viagem, tendo a nau invernado ali durante seis meses. Francisco dedicou o seu tempo ao auxílio e tratamento dos doentes. Tendo-se feito de novo ao mar, a nau voltou a aportar em Melinde. Aí, Francisco de Xavier conseguiu de imediato converter alguns africanos, e desejou por força lá permanecer, ao que não foi autorizado por Martim Afonso de Sousa, por essa decisão ser contrária às instruções do Rei.
A nau Santiago ancorou em Goa, a então capital do Estado Português da Índia, a 6 de Maio de 1542.
Através das cartas a Inácio de Loyola, que as primeiras impressões de Francisco Xavier sobre Goa foram muito favoráveis, tendo ficado entusiasmado com a quantidade de indianos que falavam português, com a quantidade de igrejas e de convertidos. No entanto, à medida que foi conhecendo melhor a cidade, apercebeu-se de que muitos dos convertidos praticavam ainda paralelamente cultos hindus e que muitos portugueses davam também eles mau exemplo, defendendo as virtudes cristãs mas não as praticando. Estrategicamente, decidiu assim dedicar-se numa primeira fase a reencaminhar os portugueses para a verdadeira fé, tendo só posteriormente iniciado o seu trabalho de conversão.
Quando iniciou as conversões, dedicou-se primeiramente às crianças e só depois aos adultos. Todo o tempo que lhe sobrava era dedicado a visitar as prisões, a tratar dos doentes no Hospital Real e dos leprosos no Hospital de São Lázaro. É aí que começa a escrever um catecismo que veio a ser traduzido para várias línguas asiáticas.
A  setembro de 1543, parte na sua primeira acção missionária para a costa a que os portugueses chamavam “Costa de Pescaria”, na costa este do Sul da Índia, a norte do Cabo Comorim, território dos paravás. Nesta região, a prática da pesca era muito popular, prática, essa que não era bem encarada pela religião hindu, que reprova a morte de animais. Os pescadores da região foram, portanto, muito receptivos à religião cristã, que não os criticava pela profissão que levavam, usava um peixe como um dos seus símbolos e cujos primeiros apóstolos eram pescadores de peixe tornados “pescadores de homens”.
Ficou a viver numa gruta nas rochas junto ao mar em Manapad, catequizando as crianças paravás intensivamente durante três meses. Concentrou-se então em converter o rei de Travancore ao Cristianismo, tendo visitando também o Ceilão (actual Sri Lanka). Insatisfeito com os resultados da sua actividade, partiu ainda mais para oriente, planeando uma viagem missionária a Macáçar, na ilha de Celebes (actual Indonésia). Francisco levou alguns destes paravás consigo até Goa, onde os pôs a estudar no seminário, tendo-se eles tornado por sua vez missionários.
Sendo o primeiro jesuíta na Índia, Francisco cometeu alguns erros que levaram a que as suas missões não fossem mais bem sucedidas. Não respeitando a religião hindu, não tentou fazer a transição desta para o Cristianismo de forma gradual, caindo na tentação de apostar em fazer uma conversão demasiado rápida e brusca. Também não tentou converter primeiro as classes altas para depois chegar aos pobres. Pelo contrário, procurou converter os pobres directamente, como Jesus Cristo.
Em outubro, ancorou na também portuguesa Malaca. Tendo sido forçado a esperar três meses por um barco para Macáçar, desistiu desse objectivo e partiu de Malaca em  janeiro para as ilhas de Amboino, onde permaneceu até meados de junho.
Visitou, depois, outras das ilhas Molucas, incluindo Ternate e Morotai. Pouco depois, regressou às ilhas de Amboino e, posteriormente, a Malaca. Nesse período, frustrado pelas elites de Goa, São Francisco escreve ao Rei Dom João III de Portugal pedindo que fosse instalada em Goa uma Inquisição. Esta Inquisição, à qual o rei se mostrou resistente, como se mostrara à sua presença em Lisboa, viria a ser instalada só oito anos após a morte de Francisco de Xavier.
O trabalho de Francisco de Xavier inaugurou mudanças permanentes nas ilhas que configuram a Indonésia Oriental, tendo-se tornado conhecido como o “Apóstolo das Índias” quando, trabalhou nas ilhas Molucas, cavando os alicerces para uma missão permanente, em que Batizou milhares de pessoas.
Em Malaca, Francisco de Xavier conhece o aventureiro e futuro escritor Fernão Mendes Pinto, que regressava do Japão e trazia consigo um nobre japonês de Yahiro um jovem japonês, o jovem era natural de Kagoshima. Angiró ouvira falar de Francisco em 1545 e viajara de Kagoshima para Málaca com o propósito de o conhecer. AYahiro tinha sido acusado de assassínio e fugira do Japão. Abriu o seu coração a Francisco, confessando-lhe a vida que levara até ali, mas também os costumes e cultura da sua amada terra natal. Yahiro é baptizado por Francisco Xavier e adopta o nome português de Paulo de Santa Fé. Yahiro era samurai e, como tal, tornar-se-ia um valiosíssimo mediador e tradutor para uma missão ao Japão que assim se tornava cada vez mais próxima da realidade.
Regressado à Índia em janeiro de 1548, passa os quinze meses seguintes com variadas viagens e tomando medidas administrativas na Índia. Devido ao que considerou um estilo de vida não-cristão por parte de muitos portugueses, que lhe impedia o trabalho missionário, viajou para o sudeste. Partiu de Goa em abril de 1549, parou em Málaca e visitou Cantão, na China. Foi acompanhado por Yahiro, pelo padre Cosme de Torres, pelo irmão João Fernandes e por outros dois homens japoneses que estudaram em Goa para servirem de intérpretes. Levou também consigo inúmeros presentes para o “rei do Japão”, já que tencionava apresentar-se perante ele como representante da cristandade.
Alcançaram o Japão em julho de 1549, mas só em agosto é que foram autorizados a aportar em Kagoshima, o principal porto da província de Satsuma, na ilha de Kiushu. Foi recebido amigavelmente e ficou hospedado pela família de Yahiro até outubro de 1550. Entre outubro e dezembro desse ano, residiu em Yamaguchi. Pouco antes do Natal, partiu para Quioto, mas não conseguiu autorização para visitar o imperador. Regressou a Yamaguchi em março de 1551, onde o daimio daquela província o autorizou a pregar. Contudo, faltando-lhe a fluência na língua japonesa, teve de se limitar a ler alto a tradução do catecismo feita com Yahiro, onde Francisco se deparou com alguma resistência do povo japonês. Passado um ano Francisco conseguiu converter umas 150 pessoas em Kagoshima.
Francisco teve um forte impacto no Japão, tendo sido o primeiro jesuíta a lá ir em missão. Em Abril de 1552 voltou a embarcar, disposto a fundar a missão chinesa, em que mais tarde viu-se obrigado a fazer uso das suas faculdades de anuncio apostólico, excomungando o governador Alvaro Ataide.
Viajou até a ilha de Sancián, onde chegou em Setembro, permanecendo algum tempo, pois ninguém se atrevia de levar Francisco à china pelo receio das autoridades locais.
Xavier adoece nessa altura, pois o tempo estava muito frio, em que a maioria dos portuguesse abandonaram a ilha.
A 2 de dezembro morre Francisco, sendo enterrado no promontório da baía a meio da encosta. Passado 2 meses, em meados de fevereiro de 1553, a nau de santa cruz preparava-se para regressar a malaca, em que o fiel António pensou que Francisco não devia permanecer sozinho na ilha falando com o capitão do barcopara que levassem os ossos. A 16 de Março de 1554, sexta feira de paixão, o corpo foi recebido solenemente em Goa pelo vice-rei e por milhares de fieis.
Francisco foi um homem marcante, pelas cartas que escrevia e da forma como amava Deus e a sua insistência para espalhar a fé Cristã, mesmo com as dificuldades percorridas.
Era um homem humilde e que no fundo amava o próximo independetemente da cor da raça e do estatuto social.



Curiosidades sobre o livro, galerias de imagens, comentários finais
Este livro descreve uma história sobre Francisco Xavier em várias fases da sua vida e constituído por 41 capítulos. No romance EM COMPANHIA DO SOL, Jesus Sánchez Adalid descreve com grande fidelidade a fascinante personalidade do protagonista. Tudo isso se mistura com uma delirante realidade tangível, terrena e ao mesmo tempo espiritual, que nos ilustra sobre uma das passagens mais emocionantes da nossa história, pois Francisco Xavier parte para a Índia no reinado de D. João III como núncio apostólico do papa Paulo III.
A leitura deste romance constituiu para mim uma agradável surpresa pois mais que um simples romance histórico - biográfico , é uma verdadeira viagem pelo mundo espiritual e místico da figura de S. Francisco Xavier.

Sofia Almeida

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